terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Luto Patológico


DEFINIÇÀO DO LUTO PATOLÓGICO
Estado mental associado à perda de pessoas significativas e decorrente da interrupção do processo normal 
do luto, cronificando a sensação de perda e de todos os seus acompanhamentos.  

PSICODINÂMICA DO LUTO
O luto é a reação experimentada frente à morte ou perda de um ser amado ou 
de uma abstração equivalente (a pátria, a liberdade, um ideal etc.). Também podem ocorrer manifestações
de luto em outros tipos de perdas de menor magnitude, como por exemplo em separações familiares,
conjugais, de amigos; perda de um objeto de estimação ou de  algum tipo de lembrança de valor emocional;
mudar-se de casa; mudar-se de país. 
O luto é um processo mental destinado à instalação de uma perda significativa na mente. A parte perceptível
deste processo se caracteriza, inicialmente, pela repetida rememoração da perda sempre acompanhada do
sentimento de tristeza e de choro, após o que a pessoa acaba se consolando. Com a evolução do processo,
passam a ser rememoradas outras cenas, agradáveis e desagradáveis, nem sempre seguidas de tristeza e
choro, mas sempre com a consolação final. É um processo de duração variável, porém sempre lento, longo e
acompanhado de graus variáveis de falta de interesse pelo mundo exterior, tristeza e seus corolários, que vão
diminuindo conforme o processo avança. 
O processo vai gradualmente se extingüindo com desaparecimento da tristeza e do choro, instalação da 
consolação e volta do interesse pelo mundo exterior. No final, com a quebra definitiva da ligação afetiva, a
pessoa perdida passa a ser apenas uma lembrança; o sentimento de tristeza desaparece e a vida afetiva
retoma seu curso  voltando a ser possível novas ligações afetivas.

DO LUTO PATOLÓGICO
Por incapacidade de integrar a perda (e suas conseqüências transformadoras) ao mundo 
mental, o processo normal do luto é interrompido através da identificação do enlutado com a pessoa morta.
Existem várias formas e gradações de apresentação clínica desta situação psicodinâmica, todas
relacionadas com a depressão e tendo na melancolia a forma extrema.
Três linhas de compreensão desta incapacidade de elaborar uma perda significativa:
Freud foi o primeiro apontar o papel da identificação do enlutado com o morto como “solução” para esta
impossibilidade.
Ele atribuiu à raiva (hostilidade) para com a pessoa perdida um papel central na transformação do
luto normal em patológico.
Melanie Klein foi a primeira a estabelecer a ligação entre os processos de luto havidos na primeira infância
com ocorrência de luto patológico em adultos. Acentuando o papel das relações objetais no primeiro ano
de vida, e sempre na ótica da hostilidade presente nelas, atribuiu às experiências de perdas ocorridas nesta
época e aos processos psicológicos que elas desencadeiam (culpa e perseguição) um importante papel
etiológico no luto patológico.
John Bowlby deu continuidade ao estudo iniciado por M. Klein em relação à ligação entre experiências
infantis de luto e o desencadeamento de luto patológico em adultos e suas expressões psiquiátricas. Mas,
por não ter 
encontrado evidências de que a agressão seja expressão de uma pulsão de morte e que o período de 
vulnerabilidade às experiências de perda esteja restrito ao primeiro ano de vida, Bowlby discordou quanto ao 
papel dado por Klein tanto à hostilidade quanto ao período de grande vulnerabilidade às experiências de luto
na infância. 
A partir de sua observação clínica constatou que a perda de uma pessoa amada sempre desencadeia um
forte desejo de reunião, um sentimento de raiva (de intensidade variável) pela partida e, no final, a um certo
grau de desapego. Este tipo de perda, para este autor, sempre dá origem não só à ansiedade de separação
e ao pesar, como também a processos de luto nos quais a agressão tem a função de reunião. 
Considera que o luto patológico decorre apenas da interferência de processos defensivos que acabam 
desviando o processo normal de luto, não vendo diferenças qualitativas entre os processos normal e
patológico do luto.