quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Judaismo - ocasiões festivas durante o luto.


Ocasiões Festivas Durante o Luto
  
  Por Maurice Lamm
 
A observância que mais afeta a vida diária do enlutado durante o período de 12 meses é a completa abstenção de festas e festividades, tanto públicas quanto privadas. Participar dessas reuniões simplesmente não é consonante com a depressão e contrição experimentada pelo enlutado. Chega às raias do absurdo o enlutado dançar com animação enquanto seu parente jaz morto num túmulo recente. Assim, os Sábios decretaram que embora o completo afastamento das atividades normais da sociedade dure apenas uma semana, afastamento de ocasiões sociais festivas dura 30 dias em luto por outros parentes, e um ano (12 meses hebraicos) quando em luto pelos pais. A alegria, em termos da tradição do luto, está associada em grande parte com eventos sociais públicos do que com satisfações pessoais.
A definição de júbilo
 A dificuldade aqui, no entanto, é qual ocasião social deve ser definida como alegre, e portanto proibida ao enlutado. Existem, por um lado, reuniões sociais como festas, reuniões entre amigos, encontros da comunidade, viagens de recreio e cruzeiros, reuniões de negócios, eventos na sinagoga, e assim por diante. Por outro lado, há as celebrações religiosas, como brit milá, bar mitsvá e casamentos. Quais são considerados "alegres" em termos da tradição do luto? Quais critérios são usados para avaliar a determinação?
 Os Sábios, através dos séculos, estabeleceram critérios gerais de ocasiões "alegres". A primeira consideração foi se a festa era religiosa ou social. Nesse ponto os grandes Sábios estavam divididos. A maioria, e a atitude prevalecente, foi que apenas o "verdadeiro júbilo" era proibido. O verdadeiro júbilo é aquele que vai até o âmago da pessoa, sua relação interior com D'us e com sua família. Isso é o que o Talmud tinha em mente quando proibiu o enlutado de entrar num salão para participar do jantar de gala de um casamento. A ocasião que celebra o cumprimento de uma mitsvá, como um casamento ou bar mitsvá, desperta verdadeiro júbilo no coração da pessoa, e isso o enlutado não tem permissão de sentir.
 O estabelecimento desse critério está longe de ser arbitrário. Em vez disso, é uma conseqüência do conceito espiritual judaico sobre o mundo. O homem encontra genuína felicidade no cumprimento de suas obrigações para com D'us. Sua profunda satisfação não vem das distrações da mídia de entretenimento e das frivolidades superficiais de agora, dos jogos e concursos da sociedade. É verdade que reuniões de amigos e colegas proporcionam uma alegria positiva e incontestável, e muitos são os louvores oferecidos pelos Sábios à camaradagem característica de ocasiões sociais amigáveis. Porém o deleite que é derivado não é tão profundo como o júbilo verdadeiro da ocasião religiosa.
 Assim, esses eruditos afirmaram que a proibição básica era a simchá shel mitsvá, a celebração religiosa, e o arquétipo dessa festividade realmente feliz era a cerimônia de casamento e o banquete. Apenas secundariamente a ocasião social foi proibida.
 Uma opinião minoritária, apoiada por alguns dos mais estimados pensadores na vida judaica, afirmava que a tradição proibia basicamente a simchat mera'im, as alegrias puramente sociais, as diversões entre amigos, e a rodada de festas que geralmente marcam a vida. Qualquer ocasião celebrando a observância de um mandamento certamente não poderia ser proibida ao enlutado que deseja observar o mandamento!
 Estas alegrias podem prejudicar o espírito do enlutado? Podem trazer vergonha ao falecido? Pode-se dizer que a participação em festividades religiosas familiares afastam a mente da pessoa dos mortos?
 Judeus engajados, ansiosos para cumprir a lei, para honrar seus pais, e relativamente despreocupados com o número de eventos a que comparecem durante o ano, mantêm ambas as opiniões, e evitam tanto as festividades sociais quanto as religiosas, como regra geral. Exceções a esse costume foram enumeradas.
 Outros critérios óbvios do que constitui júbilo foram estabelecidos. A música, especialmente para dançar, geralmente desfrutada na companhia de outros, é um evidente sinal de alegria. Outro critério é um jantar festivo; um suntuoso jantar de celebração é uma ocasião festiva. Há momentos, como uma recepção de casamento ou num cruzeiro a passeio, quando simplesmente estar num salão para jantar e danças, sem participar em nenhum dos dois, não é permitido ao enlutado. É um espírito de reunião pública que deve ser evitado. Deve-se notar que o júbilo proibido ao enlutado é comensurado com o grau e período do luto, e também com o parentesco com o falecido.
 Assim:
 1 – Durante a shivá o enlutado deve se abster de fazer as coisas que possam evocar alegria, como a recitação de determinados versículos do livro de preces, ou brincar em demasia com os filhos, ou até engajar-se em discussões animadas com os visitantes na casa enlutada. Estas são consideradas s'chok, amenidades, impróprias ao enlutado e proibidas durante todos os estágios de luto. Cohelet diz: "Há um tempo para chorar (bechi) e um tempo para rir (s'chok)." Como o luto é certamente o tempo para chorar, o riso excessivo não é permitido.
 2 – Antes do shloshim, que finaliza a observância de luto para aqueles enlutados por parentes que não sejam os pais, reuniões religiosas e sociais sob circunstâncias normais são proibidas. Após o shloshim, todas as festividades estão permitidas aos enlutados.
 3 – Para aqueles em luto pelos próprios pais, o período de shloshim exige uma abstenção mais intensa do júbilo que os meses remanescentes do ano. Por exemplo, os enlutados podem comparecer a uma festa de bar mitsvá (obviamente todos podem ir ao serviço na sinagoga) durante shloshim (após shivá) juntos, desde que evitem escutar a música instrumental e participar no jantar com os celebrantes. Após shloshim, e para o balanço do ano, porém, eles podem participar plenamente do jantar se o bar mitsvando fala sobre algum tema de Torá, tornando a celebração uma função realmente religiosa.
 A seguir damos alguns detalhes da lei que deriva desses conceitos. Em situações difíceis deve-se discutir estes detalhes com o rabino, para que ele possa decidir qualquer questão da Lei. Damos a seguir algumas orientações sobre a regra e suas exceções, na proibição de comparecer a ocasiões festivas durante o luto.
Reuniões sociais e de negócios
 1 – Encontros de negócios da comunidade, como reuniões da sinagoga ou organização fraternal, são permitidos ao enlutado após shivá.
 2 – Jantares sociais, mesmo que não haja música, mesmo quando promovidos para causas de caridade, não devem ser freqüentados por enlutados pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias.
 3 – Cruzeiros recreativos e turismo em grupo de certa forma são semelhantes a jantares sociais aos olhos da Lei, embora as refeições sejam feitas privadamente. Estes são considerados verdadeiros "passeios" e devem ser desencorajados pelo menos durante os 30 dias.
 4 – Festas em residências também devem ser desencorajadas ao enlutado pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias, embora não seja servida uma refeição completa. Não há restrições sobre reuniões com uns poucos amigos de cada vez. O importante a ser lembrado é que esses eventos não devem se transformar em "ocasiões sociais". Receber amigos tudo bem, mas festividades não são apropriadas.
 5 – Festas de negócios, onde alegria e farra são comuns, e realizações comerciais são a meta, devem ser evitadas durante todo o período de luto. Se a ausência nesses eventos pode causar perda financeira, deve-se consultar um rabino. Convenções de negócios são, similarmente, algo a se evitar em situações normais. No entanto, se o comparecimento for obrigatório, ou economicamente benéfico, o enlutado pode ir mas deve se retirar durante os períodos de música e dança. Deve fazer as refeições privadamente ou com amigos, a menos que o objetivo da reunião seja puramente de negócios, quando então ele pode jantar com a convenção, após o período de shloshim.
 6 – Músicos profissionais que extraem todo, ou parte do próprio sustento tocando em ocasiões festivas, podem fazê-lo após a shivá, pois não estão tocando por alegria. Se forem financeiramente sustentáveis, devem evitar tocar durante o shloshim.
 7 – Ir a óperas e concertos, teatros e cinemas deve ser desencorajado. Ouvir rádio ou assistir à TV depende dos critérios de júbilo acima. Geralmente, eventos esportivos e transmissões via rádio ou TV sobre notícias e esportes são permitidos.
Celebrações Religiosas
 Brit Milá
• O enlutado que acaba de tornar-se pai pode comparecer ao brit milá do filho, mesmo que seja no primeiro dia após o enterro. Pode ir vestido com roupas de Shabat. Pode ajudar a preparar e comer a refeição festiva, até (talvez de preferência) em sua própria casa. Se não for na sua casa, pode se deslocar até o local do brit milá. Porém, logo após o brit milá, ele deve regressar e continuar a shivá na casa enlutada.
• O mohel, se não houver outro competente que esteja disponível, pode realizar o brit milá, mesmo durante sua shivá. Ele não deve participar da refeição festiva durante o shloshim se estiver de luto por um dos pais, porém pode fazê-lo (após shivá) se estiver de luto por outros parentes.
• O sandak (enlutado) pode comparecer ao brit milá, mas não deve participar da refeição festiva durante a shivá, como o mohel. Pode calçar sapatos e vestir-se para a ocasião. No entanto, não é considerado inteiramente adequado convidar um enlutado para ser o sandak.
PIdyon Ha'ben
 As leis de pidyon ha'ben são semelhantes àquelas do brit milá. O Cohen, nesse exemplo, pode realizar esse procedimento, como no caso do mohel.
Bar mitsvá
 Um pai enlutado pode preparar a festa de bar mitsvá mesmo durante shloshim, desde que seja após a shivá. Ele não deveria, porém, fazer a refeição com os convidados. Pode comer em outro aposento, e socializar com os convidados durante a refeição propriamente dita, sem música.
 Um pai nessa situação pode vestir-se para a ocasião. O próprio bar mitsvando, se estiver de luto por um dos pais, pode vestir suas melhores roupas. A cerimônia religiosa do bar mitsvá não é cancelada mesmo que o rapazinho esteja de luto. Todos os enlutados, sejam ou não parentes do bar mitsvando, podem comparecer à celebração durante o shloshim, mas devem evitar o jantar ou ouvir música. Após shloshim, o enlutado pelos pais pode participar da refeição se o celebrante falar sobre tópicos de Torá, indicando assim que é uma simchá shel mitsvá, uma ocasião religiosa.
A cerimônia de casamento
 1 – Se a cerimônia acontece num salão ou local semelhante onde haja música, a regra geral é que os enlutados pelos pais não devem comparecer durante 12 meses, e por outros parentes por 30 dias.
 2 – No próprio salão do buffet, se não houver orquestra presente, enlutados pelos pais podem comparecer após shloshim.
 3 – Se o casamento for numa sinagoga, onde costumeiramente há apenas música vocal mas não instrumental, o enlutado pelos pais pode comparecer após a shivá. Após shloshim, nesse caso, o enlutado pelos pais pode até participar na recitação das bênçãos na cerimônia e vestir-se para a ocasião. Se houver música instrumental ele não pode comparecer pelo menos até o fim do ano.
 4 – Se o enlutado (mesmo pelos pais) for o décimo no minyan, e não houver mais homens disponíveis para constituir o quorum, ele pode comparecer ao casamento e fazer a refeição, mesmo durante o shloshim.
 5 – Se a ausência do enlutado causará um adiamento na data do casamento, e houver a possibilidade de que o adiamento possa fazer com que um dos noivos desista do casamento, o enlutado pode comparecer a qualquer tempo e sob quaisquer condições.
 6 – Se o rabino está de luto, pode oficiar um casamento após shivá, mas deve evitar ouvir música.
 7 – Quando enlutados vão a essas ocasiões quando isso normalmente não seria permitido, eles devem realizar alguma função útil:
 a – Parentes que comparecem após shivá (durante shloshim), devem atuar como anfitriões ou ajudantes na cerimônia, mesmo que não estejam de luto pelos pais, Estes enlutados, obviamente, podem comparecer após shloshim sem esta exigência.
 b – Amigos íntimos do celebrante que estejam de luto não devem comparecer à cerimônia durante shloshim. No entanto, se eles sentirem que sua ausência causará remorso ou sofrimento aos noivos, podem comparecer como assistentes antes da cerimônia. Após shloshim, se estão de luto pelos pais, estes amigos podem comparecer se ajudarem antes da cerimônia.
O Jantar
 Jantar festivo com amigos e parentes cai exatamente na categoria de simchá, júbilo, e deve ser evitado pelo enlutado durante 12 meses quando em luto pelos pais, e 30 dias em luto por outros parentes. Em circunstâncias prementes, os enlutados devem agir conforme explicado a seguir:
 1 – Pai e mãe, irmão e irmã, e filhos da noiva ou do noivo, podem comparecer à cerimônia e participar do jantar durante shloshim mesmo se estiverem de luto pelos pais. Devem, no entanto, ser de alguma ajuda na preparação ou serviço da refeição, ou servindo bebidas e assim por diante.
 2 – Outros parentes do casal podem ir à recepção do casamento após shloshim, se estiverem de luto pelos pais, (outros enlutados após a shivá) mas devem ajudar a servir.
 Siyyum Masechet
 Na conclusão de um tratado do Talmud uma celebração (siyyum masechet) geralmente é feita (como aquela à qual comparece o primogênito que, caso contrário, teria de jejuar antes de Pêssach). Estas celebrações podem ser freqüentadas por enlutados, e eles podem participar da refeição em seguida ao discurso talmúdico. A refeição festiva em Chanucá e na inauguração de uma casa estão na mesma categoria, desde que haja um caráter de celebração religiosa com um divrei Torá ou canções entoadas em louvor a D'us.
Festividades no Shabat
 O Shabat é um dia no qual é evitado luto em público (embora as proibições do luto pessoal estejam valendo).
 A pessoa pode comparecer a uma reunião pública festiva no Shabat?
 A regra geral é que o Shabat apenas acrescenta à simchá que coincide com ele, e portanto isso deve torná-la duplamente proibitiva. Ao mesmo tempo, porém, se a comunidade normalmente esperaria que o enlutado comparecesse, sua ausência pareceria luto público, seria permitido no Shabat.
 Os procedimentos a seguir, portanto, devem ser adotados:
 Festejos pós-casamento (sheva brachot) feitos a cada noite durante sete dias depois do casamento, não devem ser freqüentados nem mesmo no Shabat até depois de shloshim por enlutados pelos pais, e após a shivá por outros enlutados. O mesmo é verdadeiro para brit milá, shalom zachar (celebrado na primeira sexta-feira à noite após o nascimento de um filho), e para uma mãe retornando à sinagoga pela primeira vez após o nascimento do filho, se costumeiramente é dada uma festa em sua homenagem.
 No entanto, o acima é feito para amigos e parentes distantes do celebrante. Parentes próximos da família imediata e indivíduos proeminentes, dos quais geralmente se espera o comparecimento, podem ir a essas celebrações e participar da refeição. Sua ausência seria claramente uma indicação de luto em público, que é proibido no Shabat.
O Enlutado e Casamentos
 Para os parentes, amigos e pessoas que desejam o bem, a alegria no casamento é definida em termos materiais, como jantar e danças. Assim, o enlutado pode ir à cerimônia se não houver música e se ele não participar do banquete. Porém para o casal que está se casando, comida e música são secundários, meramente um acompanhamento para o importante momento sob a chpá. Para eles a definição de júbilo é o vínculo pessoal e espiritual que os une. Mesmo que o casamento fosse destituído dos enfeites materiais, dos sorrisos e adornos, e somente o casal, as testemunhas, o minyan e o rabino estivessem presentes, a cerimônia ainda seria o máximo da alegria.
 O som empolgante do mazal tov, a beleza das flores e da música teriam ido embora, mas a essência permaneceria pela vida toda. Portanto, para o enlutado, o casamento deveria ser proibido. Mas esta não é uma questão fácil. A pessoa pode se abster de celebrações e música por um ano, mas o casamento é o próprio tecido da vida, e a vida inevitavelmente deve continuar. E portanto todos os enlutados, seja pelos pais ou por outros parentes, embora estejam proibidos de casar-se durante a shivá, tinham permissão de casar-se após o shloshim.
 O casamento pode ser celebrado na presença de todos os amigos, abundância material, beleza, música e alegria. Pois é, afinal, a festa das festas e, portanto, barbear-se, cortar o cabelo, lavar-se e vestir-se da melhor maneira são permitidos.
 As leis relativas ao casamento afirmavam a necessidade de a vida continuar e ser vivida plenamente, mas também consideravam que, mesmo assim, um parente próximo acaba de perder a vida. A gloriosa união do casamento e a grave perda da morte são dois contrastes, e a tradição entendia a necessidade de ambos.
 A seguir temos as leis que surgiram desse entendimento da necessidade humana no momento raro da coincidência de tamanhos opostos na vida.
 1 – Quando o casamento pode ocorrer:
 a – Os enlutados não devem se casar durante shloshim, e certamente não durante a shivá, mesmo sem pompa, música e recepção suntuosa. Noivados não podem ser realizados ou anunciados durante esse período.
 b – Após o shloshim, o casamento pode ocorrer com todos os adornos, música e comida, e os noivos e pais podem se vestir para a ocasião, sem demonstrar quaisquer sinais evidentes de luto.
 c – Durante shloshim (após shivá) há circunstâncias excepcionais quando os casamentos podem ser realizados:
 Se o noivo é o enlutado:
• Se ele não tiver filhos, e os preparativos já foram feitos, como: data marcada, os arranjos contratados, a comida foi adquirida, portanto adiar o casamento incorreria em grande perda financeira, ou faria com que muitas pessoas ficassem ausentes.
• Se a data não foi marcada, mas por alguma razão irrefutável, como alistamento militar, deve ser feito durante shloshim, o casal pode se casar, mas não viver como marido e mulher até depois do shloshim.
Se a noiva é a enlutada:
 O casamento pode ocorrer durante o shloshim apenas se ela já estiver noiva, os preparativos feitos e o noivo não tem filhos.
 2 – Quando pode ocorrer o segundo casamento:
a – Se a esposa morreu.
 O marido deve esperar passar as três maiores Festas (Pêssach, Sucot e Shavuot) antes de casar novamente. Rosh Hashaná e Yom Kipur não contam como Festas para esse propósito. Shemini Atsêret pode ser contado como Festa em determinados casos envolvendo circunstâncias urgentes pessoais e familiares. O motivo ostensivo para esta demora é a esperança que a duração de três Festas separadas e o ciclo de estações diminua seu desespero, e ele não entre num segundo casamento com a imagem do primeiro amor ainda presente em sua mente. Este espaço de tempo pode ter até um ano se a morte ocorreu pouco depois de Sucot, ou apenas alguns meses se a morte ocorreu pouco antes de Pêssach.
 Há exceções dignas de nota a essa regra geral:
• Se o marido não gerou filhos, o casamento pode ser feito após shivá e eles podem viver como marido e mulher.
• Se ele tem filhos pequenos que precisam ser cuidados, o casamento pode ser feito após shivá, porém as relações conjugais devem ser adiadas até depois de shloshim.
• Se ele não suportar viver sozinho, qualquer que seja o motivo (esta não é uma ocorrência rara), ele pode se casar, mas não pode ter relações conjugais até depois de shloshim.
b - Se o marido faleceu:
 A mulher pode casar-se novamente depois de três meses, um tempo consideravelmente mais breve que a duração de três Festas para o homem. Evidentemente, a mulher era considerada mais capaz de controlar suas emoções, tendo de estar mais preocupada com a criação dos filhos que com os próprios sentimentos. O motivo para essa espera de três meses é que deve ficar evidente que ela não espera um filho do marido falecido. Sob circunstâncias excepcionais a serem julgadas por competentes autoridades rabínicas, caso saiba-se medicamente que ela não poderia estar grávida, e se o noivo não tem filhos, ela pode receber permissão de casar-se após shivá. Além disso, se ela tem muita dificuldade para sustentar os filhos órfãos e pode ser determinado com segurança que não está grávida, ela pode receber permissão de casar-se imediatamente após shivá.
 3 – Tornando-se enlutado após a cerimônia
 a – Se um dos sete parentes próximos da noiva ou do noivo faleceu logo após a cerimônia, mas antes que o casamento fosse consumado, o casal deve viver separado até depois da shivá.
 b – Se o parente faleceu após a consumação do casamento, o luto é adiado até depois da semana inteira de celebração das bodas. Durante esse período, o enlutado pode cuidar de sua higiene pessoal e aparência, e pode experimentar todas as alegrias da vida. Quando a semana terminar, porém, a roupa do enlutado é rasgada e a shivá começa de maneira plena, como descrito acima.