sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Terapia Familiar

  Família desperta em todos nós lembranças, emoções, saudades, expectativas quase sempre contraditórias, intensas e principalmente inegáveis. Família é algo universal e por enquanto eterno; não foi descoberto outra formação humana capaz de substituí-la.


        As nossas famílias contemporâneas guardam muitas nuances do que se pode caracterizar como modelo burguês de família: patriarcal, autoritário, monogâmico, primando pela privacidade, a domesticidade dos conflitos entre sexo e idade.

        O estudo em torno da entidade familiar nem sempre produz idéias unânimes e harmoniosas. Por vezes suscita polêmicas acirradas.

        A família como toda instituição social, apresenta aspectos positivos, enquanto núcleo afetivo, de apoio e solidariedade. Mas apresenta, ao lado destes, aspectos negativos, com imposição de normas e finalidades rígidas. Torna-se muitas vezes, elementos de coação social, geradora de conflitos e ambigüidades.

        O sistema familiar é um organismo vivo, de equilíbrio próprio, com pessoa interdependentes. Quando se sentem que essa harmonia foi quebrada  de alguma forma é hora de procurar ajuda.

        Essa harmonia é quebrada quando se percebe que há problemas que afetam todos os membros. Isso inclui casos de usos de drogas ou abuso de álcool,  violência em casa, separações, perdas, doenças graves, transtornos alimentares, problemas financeiros, enfim situações que levam a desarmonia num relacionamento familiar.

        Todos esses eventos poderiam ser trabalhados com ajuda de um terapeuta familiar; que inicia o processo avaliando o caso, à princípio de acordo com que a família considera o problema. Durante o processo, o terapeuta tenta identificar quais os comportamentos padrão de cada membro da família, os conflitos entre os membros, o papel de cada um naquele grupo e como os desejos desses se manifesta. Até a disposição física das pessoas  no consultório facilita essa análise: quem senta perto de quem, quem assume o lugar de liderança (a cadeira mais alta, a poltrona mais confortável).

        Existem alguns problemas identificados nos casos de famílias em conflitos, que são clássicos. Alguns deles são o pai autoritário, a mãe omissa e o filho problema. O filho problema, “ a ovelha negra” , é chamado pelos terapeutas de elemento emergente. É aquele que parece ser a raiz de todos os problemas da família, o que detona os conflitos.

        Uma das tarefas da terapia familiar é mostrar que o elemento emergente não é “ culpado” por tudo. Aliás, que ninguém é culpado por nada. O que existe são responsabilidades, não existe culpa porque, na origem daquele comportamento não existe intenção de agredir ou magoar. A pessoa começa  a agir de determinada forma para se defender, e ao longo do tempo, esse comportamento transforma-se padrão.

        A partir do momento em que o terapeuta entende a dinâmica da família, ele começa a interferir para “quebrar” os padrões de comportamentos, para tirar o foco do elemento emergente e, assim, mostrar que cada pessoa promove sentimentos nos outros que não são consciente e que cada um tem seus defeitos e qualidades e não pode ser “crucificado” por isso.

        Assim o terapeuta está trabalhando em prol do principal objetivo da terapia familiar de base psicanalítica, que é apontar os conflitos existentes (ajudando a conviver melhor com eles) e sensibilizar aquelas pessoas procurar ajuda individualmente, para resolver seus próprios conflitos.

        De acordo com a necessidade, procura-se ouvir o maior número possível de integrantes que tenham relação relevante com os pacientes.

        A remissão dos sintomas que motivaram a procura de ajuda, poderá ocorrer ou não. Esses sintomas que aparentemente são a fonte de todo sofrimento, na verdade sempre encobrem os verdadeiros motivos. Ao detectá-los através do insight, a família passa a ter condições de estabelecer e negociar novos padrões de comportamento.

        Em palavras mais simples pode-se dizer que o terapeuta ao atender uma família procura a levá-la a se sentir melhor, diminuir seu sofrimento a partir de novas formas de comunicação e interação mais adequadas ao bem estar de todos.

        Mas não é função da terapia familiar “fuçar” os aspectos mais íntimos de cada um; isso só pode ser feito em terapia individual. Portanto a intimidade de cada membro só será exposta à medida que aquela pessoa permitir e se afetar toda a família.

        As mudanças individuais certamente irão ocorrer ao nível das relações, em primeiro lugar. Questões mais arcaicas e profundas exigem atenção individual, o que poderá ocorrer simultaneamente com a terapia familiar.
         
        Fonte: Renata Daniela Guislene Meschieri
       Assistente Social do Serviço de Luto Paulista de Jaú, Pós Graduanda do Curso de Terapia de Casal e Família  e integrante do GRESSOF – Grupo de Estudo do Serviço Social Funerário